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SPE 2017 - XIV Congresso da Sociedade Portuguesa de Etologia
07/06/2017

O XIV congresso da SPE acontecerá em Lisboa, no ISPA - Instituto Universitário, a 29 de Julho. Mais informações aqui.




Entrevista a Sara Magalhães, coordenadora do grupo "Adaptation in Heterogeneous Environments", no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais
01/03/2016

Quando começou a interessar-se pelo estudo da Etologia? Quais foram os seus primeiros trabalhos?
Sempre gostei muito de estudos de comportamento, mas o meu interesse agudizou-se quando realizei um trabalho sobre comportamento humano aquando da minha estadia em Toulouse no âmbito do programa Erasmus. Nesse trabalho tentamos perceber se a forma como as pessoas se cumprimentavamvariava consoante a região da Europa de onde elas provinham. Fizemos o estudo em vários aeroportos da Europa, e apercebi-me que muito se pode aprender apenas através da observação.

Qual o livro ou obra sobre Etologia que mais a marcou?
Foi o livro do Alcock (Animal Behaviour, an Evolutionary Approach), mais ou menos pela mesma altura. Lembro-me que havia uma fotografia enorme de um senhor a bocejar e era impossível isso não se contagiar, o que era precisamente a mensagem que ele queria transmitir! Já um pouco fora do âmbito do comportamento propriamente dito, o livro que mais me marcou foi "Le jeu des possibles", do François Jacob, sobre a forma como a seleção natural opera. Acho que todos os biólogos deveriam ler esse livro, que ainda por cima é pequeno!

Quais os trabalhos de investigaçao actuais que considera mais importantes para o estudo da Etologia?
Penso que estamos a descobrir muito sobre a base genética do comportamento, e como o comportamento pode afectar a evolução das populações e vice-versa. Por exemplo, têm surgido cada vez mais estudos de vários comportamentos que usam a evolução experimental (metodologia em que o experimentador expõe diferentes populações a ambientes diferentes, durante várias gerações, e no final mede se as populações se adaptaram a esse ambiente). Em particular, muitos trabalhos focam-se na evolução do comportamento sexual em populações que evoluem em monogamia e poligamia, permitindo assim testar directamente o efeito de mais ou menos conflito sexual no comportamento.

Qual é, na sua opinião, o contributo distintivo da Etologia em relação às outras ciências da vida?
A Etologia situa-se na interseção entre várias ciências, desde a ecologia e evolução até à genética e neurobiologia. Assim, encontra-se numa posição privilegiada para promover a integração de várias disciplinas. Penso que essa integração é cada vez mais necessária, tendo em conta a grande quantidade de informação que está a ser gerada.

Que futuro vê para a investigaçao da Etologia em Portugal?
Não sei que futuro vai haver, mas o que eu gostava de ver era justamente mais integração das diferentes disciplinas. Especificamente, penso que ainda temos um grande caminho a percorrer até conseguirmos um maior conhecimento dos mecanismos que determinam comportamentos ecologicamente relevantes. Compreender esses mecanismos pode contribuir substancialmente para entendermos a função ecológica dum comportamento. Por outro lado, pouco sabemos ainda sobre a ecologia de comportamentos cujos mecanismos estão bem estudados, o que pode ajudar até a definir os testes laboratoriais que devem ser feitos para avaliarmos esses mecanismos. Temos de levar a neurobiologia e a bioquímica para o campo e trazer a ecologia comportamental para laboratórios de bioquímica e neurociências.




actualizado segunda 7 ago 2017 | hoje é